SÍNDROME DE DOWN E ADOÇÃO JUNTAS, por que não?

Quando adoção, Síndrome de Down e pais apaixonados se encontram

Coração acelerado e emocionado aqui com a história linda e inspiradora da família da Mariana. A mãe Camila dividiu conosco a chegada, por meio da adoção, da filha com Síndrome de Down na vida do casal, o amor que nasceu ali naquela famíla e só faz crescer. Emocionem-se também (acho impossível não rolar uma lágima ou um sorriso….eu chorei bem…kkk) com esse depoimento cheio de amor e sinceridade.

Obrigada Camila…muito feliz e honrada em ter vocês aqui no blog.

Gostaríamos através da nossa história, quem sabe ajudar casais ou famílias a entenderem um pouco sobre o processo de adoção, de uma forma especial, partindo-se do princípio que, filho não se escolhe, quando nos cadastramos, temos que estar preparados para recebê-los, oferecendo o amor e acolhimento, que não encontraram na sua família biológica.

Quando completamos dois anos de casados, pensamos na possibilidade da chegada de nosso primeiro filho, como a maioria dos casais recém casados, tínhamos planos e sonhos de constituir nossa família, mas descobrimos neste caminho, que filhos biológicos naquele momento não seriam possíveis. Mas como? Se hoje existem tantos métodos e formas de fertilização e ou inseminação? Como não conseguiríamos?

Para nós foi um grande baque. Diante os desafios que estariam por vir, começamos a tentar todas as alternativas possíveis, fomos em especialistas e devido a um diagnóstico médico mais específico, o nosso sonho realmente, teria que ser adiado temporariamente, mas nada que mudassem nossos planos e nos fizessem desistir dos nossos sonhos.

Resolvemos então, ser muitos dos casais que estão esperando seus filhos, através do Cadastro Nacional de Adoção.

Sabemos que adoção não é um processo simples, e o quanto pode se tornar um processo longo e demorado pelo fato de existirem muitas famílias cadastradas  em busca de filhos embasados em um perfil, que faz parte do processo, e não em busca de filhos que poderiam estar já em suas casas, vivendo com suas famílias, independente de origem, raça, cor, idade, sexo.

Depois de um ano na fila, eis que recebemos um telefonema no dia 14/10/2014, e chega em nossas vidas, Mariana Maria Saggio Silva Munhoz Alves. Uma menina linda com 4 meses na época, olhos castanhos amendoados, rostinho redondo, cabelos arrepiados e com uma característica diferente das demais crianças que nos encantou, Mariana Maria tinha Síndrome de Down.

Cumprindo as regras do processo, fomos até o abrigo conhecê-la.  Ao entrarmos no quarto onde ela estava, deitada no berço ,imediatamente o amor inundou nossos corações.

Era ela, nossa filha tão esperada e planejada. Em um primeiro momento muitas pessoas, até mesmo da família achavam que estávamos cometendo a maior loucura de nossas vidas. Diante tantos desafios, os medos e incertezas nos assombraram, não podemos negar. E agora? Como vai ser? É muita loucura para um casal tão novo? Ter um filho é complicado, e um comsíndrome de down então? Será que vamos conseguir? Quais serão as limitações dela? Como será?

Diante todos nossos medos,inseguranças e questionamentos, tomamos ela em nossos braços e começamos ali, a traçar um caminho que tínhamos certeza que seria de vitórias, conquistas e amor.  Deus havia naquele momento, nos presenteado com a jóia mais preciosa que ele poderia nos mandar… nossa Maria.

Tudo logo foi sendo adaptado e organizado, como em qualquer outro processo de adoção, que conhecemos.

Foram dias e noites de leitura sobre o que fazer e quais as melhores estimulações no nosso caso especificamente.

Abri mão da minha rotina, para me dedicar exclusivamente a Mariana Maria e suas atividades diárias: fonoaudiologia, fisioterapia, hidroterapia, terapia ocupacional, equoterapia, musicalização, ballet, natação, acompanhamento psicológico e pedagógico.

Uma vida rodeada de cuidados que são necessários, com qualquer criança, na idade dela, que hoje está com 3 anos e 10 meses e por algum motivo, possa ter tido algum atraso em seu desenvolvimento.

Quando nos perguntam qual é a diferença, sinceramente ainda não sei responder, tirando o fato de não ter a acompanhado desde seu nascimento, esta diferença NÃO existe.

Sabemos que o atraso de desenvolvimento intelectual ou cognitivo acontece sim, mas não vivemos pensando e planejando como será, buscamos oferecer o que temos de melhor para o desenvolvimento de suas habilidades e autonomia.

Se ela será uma linda bailarina, escritora, médica, musicista ou o que quer que seja a profissão, somente ela poderá decidir.

Nossa missão como pais hoje é dar e fazer nosso melhor para ela sempre. É dar amor e saber chamar atenção quando necessário, é educá-la para ser uma pessoa melhor, respeitando seus amigos e familiares e a particularidade de cada um, assim como ela deve ser respeitada.

A Mariana Maria é uma pessoa diferente assim como eu e você, talvez alguns digam especial, porque ela consegue mudar as pessoas ao redor, consegue com seu carisma mexer na nossa essência, no nosso ego, nos ensinando a inverter nossas prioridades e conceitos.

Ela chegou e nos ensinou a nos redescobrir como pessoa, nos tornando pessoas melhores, superando nossas dificuldades com uma linda bagagem de aprendizado e superação, porque o que era difícil para mim, meus medos e inseguranças, para ela foi somente vitória.

Ai diante tantos desafios, você começa a perceber que pode e deve fazer a diferença na vida de seu filho e também de alguma forma, na vida de outras crianças ou outros pais.

Ninguém aprende a amar e a respeitar as diferenças se não conviver com elas, por isso não temos receio de contar a nossa história para as pessoas que nos olham torto, quando falamos de adoção. Se pensarmos que a vida é feita de amor, ajuda, aprendizado e grandes experiências, nossos filhos são grandes presentes e a oportunidade para vivermos isso, independente das suas particularidades. Sendo assim, posso dizer hoje, com convicção, que nada é mais eficiente que o amor, vivido através da adoção.

 

Camila Aparecida da Silva Munhoz Alves ,36 anos, Administradora de Empresas, casada com Domingos Júlio, mora em Alfenas MG.

 

 

 

 

 

 

Renata Chiarello

Oi, eu sou Renata Chiarello mãe da B. Uma mãe que alterna loucura e equilíbrio (afinal qual mãe não é assim, né?). Uma mãe que quer desvendar e mostrar o mundo. Uma mãe que descobre todos os dias, de diferentes formas, as maravilhas e dificuldades que a maternidade traz.

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