SÍNDROME DA RESPIRAÇÃO ORAL

 

Saiba como identificar e tratar as conseqüências a respiração oral nas crianças

O tempo seco que estamos vivendo faz com que as crianças respirem muitas vezes pela boca e sempre tive dúvidas se é prejudicial á saude esse tipo de respiração. Hoje dra Raquel Luzardo responsável pela CLÍNICA FONOTERAPIA nos alerta para os perigos da respiração oral.

 

Dificuldade na escola, falta de atenção e problemas de memória, postura, dentição, olheiras e até de interação com os colegas. Se seu filho passa por situações como essas, o problema pode estar no fato de ele respirar pela boca. A chamada Síndrome da Respiração Oral é mais comum e grave do que se imagina e conduz a uma série de consequências para o crescimento e desenvolvimento dos pequenos.

Quando a pessoa nasce, é o nariz que desempenha a função da respiração. Ela propicia qualidade ao ar que inspiramos, limpa, filtra, aquece e umidifica-o fazendo com que chegue aos pulmões com uma boa qualidade, protegendo as vias aéreas. Este tipo de respiração favorece o posicionamento correto dos órgãos da face, garantindo o bom desempenho das funções de mastigação, deglutição e fala. Mas nem sempre a respiração é assim. Devido a rinites, hipertrofia das amígdalas ou adenóides, flacidez dos músculos da face, desvio do septo nasal, ou até mesmo mau hábito, as crianças podem alterar o seu modo de respirar começando a fazê-lo pela boca.

 

Respiração oral e suas consequências

A respiração oral pode ter como consequências alterações no crescimento crânio-oro-facial, na fala, na alimentação, na postura corporal, na qualidade do sono e no desempenho da criança ao longo do dia. A fala pode estar alterada devido à flacidez da musculatura facial, do posicionamento da língua, de uma má oclusão dentária ou por deficiências no crescimento da face.

As alterações de fala mais descritas nos respiradores orais são: 

anteriorização da língua na produção dos fonemas línguo-dentais (t-d), imprecisão nos fonemas bilabiais (p,b,m) e fricativos (f,v,s,z,ch,j) e ceceio frontal ou lateral.

Também é importante referir que as crianças respiradoras orais podem ter tendência a serem mais irritáveis e agitadas, assim como podem apresentar sonolência diurna ou imaturidade nas habilidades de processamento auditivo. Todas estas intercorrências podem acarretar dificuldades escolares. Além disso, podem não gostar de atividades que exijam esforço físico, pois cansam-se facilmente.

O respirador oral é vulnerável a otites. Isto pode interferir na capacidade de percepção dos sons da fala durante o desenvolvimento, determinando atrasos ou alterações. Esta dificuldade na percepção dos sons dificulta a aquisição e correção da fala e da escrita.

Respirar pela boca pode deformar o rosto e alterar a posição dos dentes, da língua (prejudicando fala e mastigação) e até mudar a postura. Pode evoluir para doenças cardiorrespiratória e endocrinológica.

– Alimentação: é difícil respirar e comer ao mesmo tempo, por isso há preferência a comidas fáceis de mastigar e há cansaço ou irritação nas refeições. A criança come com a boca aberta já que não tem respiração funcional pelo nariz. Come pouco e tem baixo peso.

– Escola: a noite mal dormida diminui a concentração e atenção, prejudicando o rendimento escolar. O aprendizado da leitura e escrita, por exemplo, é mais lento. Kátia conta que Gabriel dormia a noite toda, mas sempre acordava com olheiras porque não era um sono saudável, já que não respirava corretamente.

– Autoestima: as dificuldades no desenvolvimento da comunicação mexem com a autoestima, gerando agitação e agressividade, especialmente na interação com os colegas. Tudo isso acaba gerando estresse, cansaço e ansiedade.

Como identificar a respiração oral?

Crianças com a Síndrome da Respiração Oral apresentam as características:

  • Padrão respiratório predominantemente oral (inclusive durante o sono);
  • Barulho ao respirar, indicativo de perturbação respiratória;
  • Perturbações durante o sono (ressonar e/ou existência de secreções salivares); 
  • Alterações craniofaciais (ósseas e musculares – rosto alongado);
  • Alterações ortodônticas (mordida aberta, incompetência labial, palato/céu da boca ogival);
  • Alterações na postural corporal (cabeça e ombros projetados para a frente);
  • Olheiras.

Como tratar?

Devido às múltiplas causas e consequências da Síndrome da Respiração Oral, a abordagem terapêutica deverá ser feita por vários especialistas. Neste sentido, a abordagem multidisciplinar conta com a atuação de fonoaudiólogos, médicos alergistas, otorrinolaringologista, dentista e fisioterapeuta. 

Qual o papel do fonoaudiólogo?

Ele é o responsável pela avaliação dos órgãos fonoarticulatórios (lábios, língua, bochechas e palato) e das estruturas estomatognáticas de respiração, mastigação, deglutição e fala. E responsável pela reeducação da musculatura oral e aprendizagem de um padrão respiratório costodiafragmático. O fonoaudiólogo irá fazer uma reeducação, onde o paciente irá re-aprender a fazer uso do nariz.

 

Como os pais podem ajudar?

  • Ensinar a criança a limpar bem o nariz.
  • Lavar com soro fisiológico.
  • Fazer exercícios de fortalecimento de lábios (beijinhos, assobios, encher bochechas e evitar que rebentem quando se bate nelas).
  • Segurar clipes de papel entre os lábios enquanto vê televisão, montar um quebra-cabeça ou pintar um desenho.
  • Soprar bolas de sabão inspirando pelo nariz e expirando pela boca.

Respirar pelo nariz é essencial para o bom funcionamento de outras funções (mastigar, engolir e falar) promovendo uma melhor qualidade de vida à criança. 

 

Ficou com dúvida? Manda pra gente.

Beijos

Renata Chiarello

Renata Chiarello

Oi, eu sou Renata Chiarello mãe da B. Uma mãe que alterna loucura e equilíbrio (afinal qual mãe não é assim, né?). Uma mãe que quer desvendar e mostrar o mundo. Uma mãe que descobre todos os dias, de diferentes formas, as maravilhas e dificuldades que a maternidade traz.

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