CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA

Formas de estabelecer comunicação com crianças com deficiência auditiva.

Sabemos da importância do ouvir/ escutar no processo de construção da fala e então o desenvolvimento da comunicação. As crianças que nascem com a deficiência auditiva acabem apresentando muita dificuldade  em habilidades como a compreensão. Por isso algumas abordagens terapêuticas se fazem necessárias e ajudam muito no dia a dia dessas crianças.

Aproveitando que setembro é um mês que lembramos  a deficiência auditiva e como podemos melhorar a qualidade de vida das pessoas e crianças que a possui, Dra Raquel Luzardo, fonoaudióloga  especialista em linguagem e diretora da clínica FONOTERAPIA nos traz importantes informações sobre a deficiência auditiva nas crianças.

Veja o que ela nos diz:


“Existem duas abordagens terapêuticas para o deficiente auditivo, o seu desempenho e suas dificuldades irão variar segundo a abordagem escolhida:

Abordagem gestual: indicada para aqueles indivíduos que não podem ser estimulados auditivamente pelos dispositivos eletrônicos atuais (como aparelhos auditivos e/ou implantes cocleares). Isso ocorre ou por limitação médica ou por escolha da família. Neste caso, a comunicação sem o input auditivo não poderá ser oral e a criança deverá aprender nova língua, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). É importante que além da criança os familiares também aprendam para poder se comunicar com ela.

A LIBRAS possui estrutura diferente do português, portanto para que a criança aprenda os conceitos todos os educadores terão que utilizar essa língua. Na escola, caso a professora não faça LIBRAS, a criança precisará de interprete.


O contato com outras crianças também poderá ser mais difícil caso a criança esteja inserida em um grupo de crianças que não utilizam LIBRAS.

Abordagem oral: nesta abordagem o aprendizado baseia-se no estímulo auditivo fornecido pelo dispositivo eletrônico utilizado pela criança (aparelho auditivo e implante coclear). A principal premissa é que este dispositivo garanta completa percepção de fala. Neste caso o sucesso depende principalmente da precocidade do início do tratamento. A criança que inicia a estimulação auditiva adequada e precoce receberá estímulos auditivos de forma semelhante a criança ouvinte.

A terapia fonoaudiológica terá como base a estimulação auditiva e a adequação dos conceitos adquiridos oralmente. A comunicação principal será a fala e a aquisição dos conceitos será por via auditiva.


Na escola, a criança não terá necessidade de intérprete, porém poderá ter dificuldades em situações de escuta na presença de ruído. Nestes casos, precisará da atenção especial do professor ou até mesmo de um tutor, que garanta a compreensão. O ideal é que a aquisição de novos conceitos aconteça em ambientes silenciosos de modo garantir a completa compreensão por parte da criança.

Para os pais e pessoas que convivem com os pequenos que têm algum tipo de perda auditiva, algumas dicas simples podem ajudar a melhorar a comunicação:

Fale próximo da criança, de preferência no mesmo nível do rosto dela;
Evite conversar com ela quando outros ruídos, como o som da TV, possam competir com a sua voz;
Converse um pouco mais devagar que o normal, mas sem exagerar na articulação das palavras, sem gritar ou elevar muito a voz;
Dê tempo para que a criança possa processar o que foi dito e lhe dê uma resposta. Se perguntarmos e, ao mesmo tempo, respondermos pela criança, isto não vai ajudá-la.

Como lidar com crianças que têm perda de audição em salas de aula?

É importante que os educadores esclareçam aos demais alunos da classe sobre a deficiência auditiva e as necessidades específicas da criança. Fale com eles sobre o assunto e responda as suas curiosidades iniciais.

• É preciso antes de tudo tratar a criança com deficiência auditiva como uma criança. Elogie suas qualidades e atributos e chame sua atenção quando necessário.

Quando não compreender o aluno, o professor precisa demonstrar isso. É melhor do que “fazer que entendeu”. Ao mesmo tempo, é preciso demonstrar muita vontade de compreendê-lo. Com esta atitude a criança será estimulada a buscar formas mais eficazes para se fazer entender.

• Estimule e incentive as iniciativas de interação entre a criança com deficiência auditiva e seus colegas de classe.

A criança com deficiência auditiva não deve ser cercada de privilégios. O que pode para ela pode para todos. A intenção deve ser promovê-la perante o grupo através dos acontecimentos naturais e rotineiros do ambiente escolar, que explorados corretamente, aumentarão as oportunidades de integração entre todos os alunos.” (Raquel Luzardo)

 

Ficou com dúvida? Manda pra gente!!!

beijos

Renata Chiarello

Renata Chiarello

Oi, eu sou Renata Chiarello mãe da B. Uma mãe que alterna loucura e equilíbrio (afinal qual mãe não é assim, né?). Uma mãe que quer desvendar e mostrar o mundo. Uma mãe que descobre todos os dias, de diferentes formas, as maravilhas e dificuldades que a maternidade traz.

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