AUTISMO x DIFICULDADE NA FALA

Meu filho ainda não fala, será que ele tem autismo?

Mesmo com muita informação ainda há muita dúvida sobre o autismo, receber esse diagnóstico ou suspeitar dele é muito difícil na maioria das vezes. Geralmente familiares e professores começam a suspeitar do autismo leve por conta de algumas características na infância, entre 2 e 5 anos, quando nota-se dificuldade de interação, atraso na fala e pouco relacionamento.

Muitas mães começam a entrar em pânico quando os filhos demoram a soltar as primeiras palavrinhas e cheias de ansiedade pensam na possibilidade de um problema maior que o atraso na fala. Pra esclarecer a relação entre autismo e dificuldade na fala chamamos nossa parceira, fonoaudióloga Raquel Luzardo.

 

O atraso na fala é o sinal de alerta mais comum para o autismo. Mas nem todo atraso de fala é autismo. É necessário termos um olhar clínico cuidadoso e uma avaliação criteriosa.

É preciso muito cuidado para diferenciar um atraso de linguagem de um caso de autismo. Os dois casos têm características em comum, mas o TEA (transtorno do espectro autista) apresenta condições específicas como ecolalias ( não atender quando é chamado), não fazer uso funcional da linguagem e algumas vezes apresentar hipotonia da língua ou flacidez muscular da língua. As crianças com TEA ainda podem apresentar mais dificuldade na interação social, interesse restrito e comportamentos repetitivos. A dificuldade de comunicação é um dos pilares do autismo e o atraso de fala é um sinal de que algo não vai bem.

O autismo afeta predominantemente a interação social, o desenvolvimento da comunicação e o desenvolvimento do jogo simbólico (dificuldade para se engajar numa brincadeira ou para brincar com brinquedos que normalmente as crianças brincam).

Os problemas de comunicação das crianças autistas podem ter uma grande variação e podem depender do desenvolvimento social e intelectual delas. Algumas podem ser completamente incapazes de falar enquanto outras têm um vocabulário bem desenvolvido e falam sobre uma série de tópicos do seu interesse. Qualquer programa terapêutico deve começar acessando o ponto em que as habilidades linguísticas da criança se encontra.

Embora algumas crianças autistas tenham pouco ou nenhum problema com a pronúncia das palavras, a maioria tem efetivamente dificuldades em utilizar a linguagem. Até aquelas que não tem problemas em articular as palavras exibem dificuldades no uso da linguagem pragmática como saber o que dizer, como dizer e quando dizer tanto quanto interagir socialmente com as pessoas. Muitas que falam dizem coisas sem contexto ou informação. Outras repetem o que ouviram ou discursos que memorizaram em algum momento. Algumas crianças autistas falam cantando ou usando uma voz mecânica como se fossem robôs.

 

O tratamento

Existem várias formas de estimular a fala da criança autista e os melhores resultados são conseguidos com o início da terapia na idade pré-escolar e que envolve a família junto com outros profissionais. O mérito é conseguir que a criança utilize a comunicação funcional, ou seja, que ela se faça entender. Para uns a comunicação verbal é possível e alcançável. Para outros, a comunicação por gestos ou por utilização de símbolos ou figuras já é de grande valia. Avaliações periódicas devem ser feitas para encontrar as melhores abordagens e reestabelecer as metas de cada criança.

 

Raquel Luzardo, fonoaudióloga, especialista em linguagem, diretora da Clínica FONOterapia, atua há mais de 16 anos em atendimento infantil, orientação familiar e assessoria escolar. Casada com o Yan e mãe do Gabriel, acredita que a comunicação é a ferramenta para as relações acontecerem de forma plena e feliz!

Renata Chiarello

Oi, eu sou Renata Chiarello mãe da B. Uma mãe que alterna loucura e equilíbrio (afinal qual mãe não é assim, né?). Uma mãe que quer desvendar e mostrar o mundo. Uma mãe que descobre todos os dias, de diferentes formas, as maravilhas e dificuldades que a maternidade traz.

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